O fenômeno do animê no Brasil.
25/11/2006 Por Tiago Bacelar
Nos dias atuais, a televisão brasileira, especialmente a paga, vive um boom de desenhos japoneses, conhecidos como animês. No Japão, a cada ano são produzidas mais de 200 séries voltadas para a TV, DVD e cinema. Muitas acabam se tornando populares na Europa e Américas como Dragon Ball, Candy-Candy, Devilman, Astro Boy, Mazinger Z, Gundam e Sailor Moon. Para realizar essa tarefa de criar esses sucessos, existem, de acordo com o Ministério da Economia, Indústria e Comércio do Japão, mais de 400 companhias.
Desses estúdios, cerca de 60% estão alojados na cidade de Tóquio. É um gigantesco mercado, que supera até mesmo o mercado norte-americano e francês, sendo responsável por quase 60% de todas as animações exibidas anualmente nas TVs e cinemas do mundo inteiro. Segundo a Associação de Animações Japonesas, formada por 40 estúdios, os fãs dessas produções nipônicas têm crescido principalmente entre jovens, tornando termos como animê, mangá cosplay e J-pop, muito populares entre eles.
Hoje, apesar da língua, religião e diferenças culturais, o animê tem o poder para influenciar e em até muitos casos manipular pessoas, através de séries de cunho político-cultural. O mercado de animês no Japão, incluindo filmes, séries para TV, músicas, licenciamento de personagens e DVDs, chegou recentemente a marca de 27 bilhões de dólares. Levando-se para o lado global, o Centro de pesquisas japonês Stanford, estima que os animês rendem por ano aos japoneses a impressionante cifra de 100 bilhões de dólares.
A história dos seriados japoneses no Brasil teve seu início com a inauguração em 18 de setembro de 1950, pelo jornalista Francisco de Assis Chateaubriand, da TV Tupi de São Paulo, a primeira emissora do Brasil e da América Latina.
O começo dela foi marcado por estúdios pequenos e equipamentos precários. Com os problemas para preencher toda a programação, atrações de outros países tiveram que ser importadas para resolver a situação crítica. Curiosamente, o primeiro desenho animado exibido no Brasil foi Pica-Pau, pela emissora de Chateaubriand, dublado
Nesse período, a série Nacional Kid foi adquirida junto aos japoneses para o mercado de vídeo pela Sato Company, através do seu dono Nelson Sato, com uma nova dublagem feita na Emérson Camargo,
Nacional Kid marcou toda uma geração de brasileiros com suas histórias repletas de situações mirabolantes e foi responsável pela vinda de vários animês nesse período. Ela foi fundamental para chamar a atenção do público brasileiro para essas séries desconhecidas até então. Conta-se a lenda que em 1997, foi encontrado, em um sótão, na cidade de Porto Alegre, todos os episódios de Nacional Kid com a dublagem original, feita na Aic,
De lá para cá passaram-se vários anos, muitas séries vieram para o Brasil, e chegamos ao ano de 2005...
BATE-PAPO
O dia 31 de julho de 2005 marcou a chegada do Canal Animax, um dos mais famosos da televisão japonesa, no Brasil. O canal Animax pertence ao grupo nipônico Sony, dono de canais como a HBO, a Sony Entertainment Television e a Warner Channel na América Latina. Com programação dedicada 24 horas por dia à animação japonesa, o canal manteve grande crescimento durante os últimos anos em todos os países onde é exibido.
Numa parceria inédita no Brasil com a Editora JBC, que publica uma série de mangás traduzidos no Brasil, e a Álamo, a Sony visa atingir um público alvo entre
Com a vinda do Animax, a tendência é que aumente a briga entre as emissoras de TV paga. O mercado de anime tende a se consolidar com a vinda de mais e mais séries oficiais para o Brasil, reduzindo assim o comércio pirata existente no país. Para uma análise mais aprofundada do Animax e do mercado de animes no Brasil, conversei com a gerente de marketing do ANIMAX no Brasil, Stefania Granito.
Tiago Bacelar - Por que a Sony, uma empresa que investe tradicionalmente em séries e filmes americanos, decidiu criar um canal como o Animax com 24 horas de pura animação japonesa? Afinal, no próprio Japão, isso não é muito comum, em virtude de existirem vários canais como TV Tokyo e YTV, que exibem muitos animês, mas não ocupam toda a grade.
TB - Como a Sony analisa o bilionário mercado de animês no Japão?
SG - Como uma grande oportunidade, por isso a decisão de investir num canal focado nesse gênero.
TB - Quando e por que a Sony decidiu que era hora de lançar o Animax em outros países? Em quais países o Animax é exibido?
SG - O Animax nasceu em 1998 e devido ao seu grande êxito neste país e ao potencial do mercado global a Sony resolveu abrir novos sinais para novas regiões. Hoje o Animax é exibido no Japão, Hong Kong, Singapura, Tailândia, Índia e em outros países do sudoeste asiático. No continente americano estamos na Argentina, México, Brasil, Venezuela, Panamá, República Dominicana, Costa Rica, Bolívia, Paraguai, Honduras, El Salvador, Colômbia e Peru.
TB - Por que a Sony decidiu lançar o Animax na América Latina?
SG - Justamente por conta da popularidade do animê que continua crescendo no mundo todo.
TB - No Brasil, o mercado de animês na TV sempre viveu altos e baixos. Iniciou-se na finada TV Tupi e teve febres momentâneas na Rede Globo e TV Record. A partir da década de 80, o domínio ficou por conta do SBT, Rede Globo, TV Record e Rede Manchete. Por sua vez, nos anos 90, houve o domínio da TV Manchete, principalmente com a exibição de Cavaleiros do Zodíaco, transmitido de
TB - Quais foram os critérios utilizados para a compra dos direitos das séries exibidas no Brasil?
SG - Qualidade, qualidade, qualidade e também, obviamente, a disponibilidade de direitos de transmissão para o mercado
SG - Nossos animês exibidos dentro do horário nobre, certamente, são os mais festejados pelos fãs do canal. Medimos nossas performances por meio do IBOPE.
TB - Por que o Animax, ao chegar a América Latina, decidiu substituir o Locomotion, em vez de usar um outro sinal?
SG - Por uma simples questão de estrutura instalada.
TB - O que aconteceu com os direitos dos animês, exibidos pela Locomotion? Venceram ou vocês os compraram junto com o canal? Digo isso, pois animês da Locomotion acabaram sendo aproveitados no Animax como Lain, Arjuna, Saber Marionette J e Saber Marionette J to X.
SG - A programação do Locomotion foi analisada pela equipe do canal e diante disso alguns foram mantidos outros foram deixados de lado.
SG - Através do crescimento da sua base de assinantes.
TB - Por que o Animax escolheu a Editora JBC para traduzir suas séries e o Estúdio Álamo de São Paulo para dublá-las? Como o Animax analisa o trabalho delas até então?
SG - Foram escolhidos por serem parceiros de confiança da área de produção do canal.
TB - Para finalizar, que trabalho de divulgação o Animax está fazendo para aumentar o número de assinantes e de fãs de animês no Brasil e conseqüentemente reduzir o número de piratas no país com a vinda de mais produtos.
SG - Para a divulgação do Animax, trabalhamos com diversos veículos: anunciamos em mangás; criamos um sistema de animês legendados que levam mensagem de um internauta para outro www.animêssenger.com.br; criamos postais que hoje em dia até estão sendo vendidos em sites de leilão; trabalhamos com blitz em locais onde o público se concentra; anúncios em revistas; flipbooks em revistas; estivemos em feiras e patrocinamos campeonatos de cosplay... neste ano de 2006, voltaremos com uma nova campanha para a divulgação do canal.



